Análise das Profecias de Nostradamus: da Revolução Francesa (1789-1799) até 2029
As seis Profecias mais relevantes para o nosso tempo, segundo A palavra-chave oculta de Nostradamus: 3+7+9+7=26 (YHWH)
Análise da Primeira Profecia :
| FLAMBE exigue sortant de sollitude , | 1. Chama exígua que irrompe de lugar ermo, | |
| Et seront faces de leurs manteaux couverts , | 2. E as faces serão cobertas por seus mantos, | |
| Bourg & cité auront plus grand debat , | 3. Vila e cidade terão a maior das contendas, | Vila = Burgo (povoação que se desenvolveu sob a proteção de um núcleo fortificado: castelo, paço ou mosteiro). |
| Le vent contraires, letres au chemin prinses : | 4. O vento [sopra] de sentidos contrários, cartas apreendidas no caminho: | |
| Combien de fois prinse cité solaire | 5. Quantas vezes [foste] tomada cidade solar | cidade solar = Paris |
| Temple Melites et proches isles vuides. | 6. [A dos] Templários e [outras] ilhas desaparecidas. | Temple Melites = [ilha dos] Templários: Île aux juifs, que também ficou conhecida como Île des Templiers (cf. AQUI) ; ilhas desaparecidas (cf. AQUI) |
| …………………………………………….. | …………………………………………….. | …………………………………………….. |
| Dans peu dira faulce brute fragile , | 7. Em breve dirá falso selvagem pusilânime, | |
| Et ses vieux siens contre eux sedition. | 8. E seus antigos súbditos contra eles sedição. | |
| [Veja também AQUI e AQUI] | [A adaptação à língua portuguesa é da minha responsabilidade.] |
Les Prophéties de M. Michel Nostradamus
https://archive.org/details/lesprophtiesdemm00nost/page/n7/mode/2up
1.2.3. Clima de conspiração oculta, alimentado por profundas tensões entre o mundo rural e o urbano. O grande medo de 1789, cf. AQUI.
4.5.6. Descreve um contexto turbulento, em que forças opostas agem em simultâneo. A apreensão e a intercetação de cartas e documentos foram práticas comuns e cruciais durante a Revolução Francesa (1789-1799), cf. AQUI.
7.8. A Revolução Francesa (resumo), cf. AQUI.
CONCLUSÃO
Por tudo o que acima ficou exposto, é possível concluir que as visões que Nostradamus descreve, nesta Primeira Profecia, se referem a factos correlacionados da mesma época histórica: a da Revolução Francesa (1789-1799).
Os eventos são descritos de forma sintética, mas não vaga, como por vezes se supõe.
As mensagens transmitidas por meio das vinte e seis Profecias encontram-se sempre mais ou menos envolvidas por uma leve aura de mistério. Contudo, essa aura misteriosa – conseguida, principalmente, através da introdução de alguns elementos simbólicos num discurso sintético (direto e conciso) – apresenta-se unicamente como um recurso estilístico, ao serviço da mensagem que Nostradamus pretende transmitir.
São sempre mensagens complexas e profundas que – para serem corretamente decodificadas – obrigam o(a) possível leitor(a) a analisar o discurso, a refleti-lo, e a estudar o(s) contexto(s) histórico(s) em que podem ter ocorrido – quando a mensagem se refere a factos passados. Quanto aos eventos que ainda estão por acontecer, esses podem ser lidos com os olhos do presente. Por duas razões: primeiro, porque Nostradamus só profetizou até ao nosso tempo; segundo, porque o futuro somos nós que o construímos, com os nossos atos (e omissões) presentes.
Análise da Segunda Profecia :
| A l’advenir par idiots sans testes , | 1. Doravante por idiotas desmiolados, | desmiolados = sem cabeça (juízo) |
| En son hault AUGE de l’exaltation , | 2. No cúmulo dos cúmulos da sua exaltação, | cúmulo dos cúmulos = AUGE máximo |
| De sang trempé la terre & mer Senoise , | 3. [É cometida]chacina [n]a margem do rio Sena, | chacina = Banhada de sangue ; a expressão “[entre] terre et mer” = rivage (se dit aussi en parlant des fleuves, des rivières, des lacs, cf. AQUI) |
| Citez vexées par subit changement , | 4. Cidades atormentadas por uma súbita mudança, | |
| Profonde argile blanche nourrit rocher , | 5. Profunda argila branca nutre a rocha, | |
| La grefle et glace fera grand malefice. | 6. O granizo e [o] gelo causará[ão] grande dano. | |
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| Perdu, trouvé, caché de si long siecle , | 7. Perdido, encontrado, ocultado de tão longo século, | ‘tão longo século’ = período que se estende desde 18 de outubro de 1685 [Édit de Fontainebleau („révocation de l’édit de Nantes“)], até a Tomada da Bastilha, em 14 de julho de 1789. Durante este período, o culto protestante foi proibido. |
| Conflict Reims, Londres, Etrusque pestifere. | 8. Conflito [que envolve] Reims, Londres, [o]Vaticano [será] pernicioso. | Etrusque = Vaticano (cf. AQUI) ; ‘pestifere’ (pestífero) = pernicioso, maligno, funesto, nefasto (cf. abaixo) |
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Les Prophéties de M. Michel Nostradamus
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1.2.3. Durante a Revolução Francesa, a guilhotina foi instalada na Place de la Révolution, hoje (“Place de la Concorde. […] é a maior praça de Paris. Localizada na margem direita do rio Sena, […]”, cf. AQUI). Nesse local, foram guilhotinadas milhares de pessoas, incluindo o rei Luís XVI, em 21 de janeiro de 1793.
4.5.6. No denominado ‘Período do Terror’ (The Terror: The Shadow of the Guillotine: France 1792–1794 ), muitas cidades francesas foram ‘atormentadas’ por causa da Convenção Nacional (“C’est un décret de la Convention nationale, en date du 16 octobre 1793, qui traduit l’injonction des autorités en matière de changement du nom de toute commune susceptible de rappeler l’Ancien Régime ou la religion chrétienne. […]”, cf. AQUI) ; O solo argiloso e as condições climáticas adversas na França do final do século XVIII, especialmente entre 1787 e 1789, foram fatores físicos cruciais que atuaram como catalisadores para a Revolução Francesa. O clima severo agiu sobre uma estrutura agrícola vulnerável, resultando em fome generalizada e no aumento explosivo dos preços do pão, o que mobilizou tanto camponeses quanto as massas urbanas:
“No verão de 1788 houve uma colheita particularmente má, […]. A escassez de pão causou também grande agitação nas cidades. As autoridades esmagaram as revoltas pela força, mas elas continuaram a estalar por todo o lado. […]” (cf. AQUI).
“Clay soils are very common in France. […]” (cf. AQUI).
” […] Boulogne is not an ugly town; […]. The high land adjoining is worth viewing by those who have not already seen the petrification of clay; it is found in the stoney and argilaceous state, […]” (cf. AQUI).
“[…] The winter of 1788-1789, Jefferson’s last in Paris, was exceptionally harsh. Frost fell in early November and the ground remained frozen until April. Rivers iced over and during occasional warm periods burst their banks as the frozen earth could not absorb any excess water. The “Siberian degree of cold” was a frequent subject of Jefferson’s correspondence. He summed up the season in a 14 March 1789 letter to Eléonor François Élie, the Comte de Moustier: “We have had such a winter here as is not on record. The mercury was 18 1/2° [-9.63° F] below freezing on Reaumur’s scale, and I think it was near two months varying between that point and zero.” The Paris Observatory recorded a low of -21.3° C (-6.34° F) on 31 December 1788 and an excessive, for the region, number of days below freezing. There were 30 days in December when the temperature never climbed to 0° C (32° F), 18 in November, 15 in January, and 21 in March. February gave the denizens of Paris a small reprieve with only 2 subzero days, although the average temperature for the month remained a mere 5.6° C, or 42.08° F (Annuaire, 80; (Annales, 1:B.211). […]” (cf. AQUI).
“One of the most severe El Niño events in history occurred from 1788 to 1794. […]” (cf. AQUI).
7.8. A Revolução Francesa acabou com a perseguição oficial aos protestantes huguenotes (cf. AQUI), que – desde a revogação do Edito de Nantes, em 1685 – tinham sido forçados a converter-se ao catolicismo, ou obrigados a fugir (a Inglaterra, sendo uma nação protestante, acolheu os refugiados huguenotes com simpatia, vendo-os como vítimas da tirania de Luís XIV), ou a praticar a sua fé de forma ‘oculta’. O Artigo 10º da DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO DE 1789 veio garantir a liberdade religiosa, permitindo que os huguenotes remanescentes saíssem da clandestinidade:
“Following the Revocation of the Edict of Nantes, French Protestants recanted or went into exile. But among those who recanted, some continued to practice in secret, read the Bible and sing psalms within the family circle or in secret “Church of the Desert” meetings. […]”: Religion in the “Desert” period (1715-1787)
8. “[…] Le mot peste est apparu dans la langue française au xve siècle. […] Il a très vite été repris dans le sens propre et dans le sens figuré […] Peste était le plus souvent usité dans le sens de « catastrophe » ou de « destruction », […]”: Chapitre 4. La rémanence de la peste dans l’imaginaire collectif
PESTIFÉRÉ, PESTIFÉRÉE
adjectif et nom
xvie siècle. Tiré du latin pestifer, « qui apporte la ruine », lui-même composé à l’aide de pestis, « maladie, fléau », et ferre, « porter, apporter » (cf. AQUI) ;
PESTIFÈRE
adj. des deux genres.
Terme didactique. Qui communique la peste. Un air pestifère. Il en sort une vapeur pestifère. Une odeur pestifère. Il est peu usité (cf. AQUI).
CONCLUSÃO
Por tudo o que acima ficou exposto, é possível concluir que as visões que Nostradamus descreve, nesta Segunda Profecia, também se referem a factos correlacionados da mesma época histórica: a da Revolução Francesa (1789-1799).
Análise da Vigésima primeira Profecia :
| Par Agrippine chef Frankfort repris , | 1. Em Köln chefe Frankfurt capturado, | Köln foi fundada por Agrippina ; capturado: no sentido de raptado |
| La Cour sera en un bien fascheux trouble , | 2. O governo confrontar-se-á com um verdadeiro dilema, | O governo = A Corte |
| Franche non point par appuy Germanique , | 3. Os franceses não ajudam de todo os alemães, | franceses = Francos e alemães = Germanos |
| La plus grand part de son sang mettra à mort : | 4. A maior parte da sua estirpe será executada: | estirpe = sangue |
| Par toute Asie grand proscription , | 5. Por toda a Ásia grande proscrição, | |
| Que telle loy tiendra pour ennemie. | 6. Que tal lei considerará como inimiga. | |
| …………………………………………….. | …………………………………………….. | …………………………………………….. |
| Le chef de Perse remplira grande Olchade , | 7. O chefe da Pérsia encherá grande tenda, | [A-]tenda = [Ol]-chade (transcrição fonética europeia, séc. XVI, de al-Čādor) ‘encher uma grande tenda’: representa simbolicamente o poder económico e político do Xá (cf. AQUI) |
| Empoisonné , son sang au sacré scyphe. | 8. Corrompido, seu povo [subjuga] ao cristianismo. | Corrompido = envenenado ; povo = sangue ; cristianismo = cálice sagrado |
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Les Prophéties de M. Michel Nostradamus
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1.2.3. Rapto do magnata Hanns Martin Schleyer, por terroristas da RAF, em Köln, e de um avião de turistas alemães, que se dirigia ao aeroporto de Frankfurt (Frankfurt am Main também foi um dos principais centros de atividade, planeamento e refúgio da RAF, especialmente no início dos anos 1970 e 1980). O corpo de Martin Schleyer foi encontrado a 19 de outubro de 1977 na mala de um carro abandonado em Mulhouse/França. Estes acontecimentos deram origem ao denominado “Outono Alemão”:
“A fase entre 1968 e 1977 pode ser considerada como a de maior crise interna na sociedade alemã desde o fim da guerra. […] Em 1977, a confrontação culminou no sequestro do magnata industrial Martin Schleyer e de um avião de turistas alemães, numa tentativa desesperada de forçar a libertação dos líderes da RAF (“Facção Exército Vermelho”) que se encontravam há cinco anos encarcerados em prisões de alta segurança. O governo social-democrata (aconselhado por um estado-maior de emergência que incluía o partido conservador, então na oposição) não aceitou libertar os prisioneiros e ‘garantiu’ a liberdade dos passageiros do avião da Lufthansa por meio de uma arriscada operação militar relâmpago. Como resultado da operação, os três líderes presos se suicidaram (ou, segundo a versão da RAF, foram massacrados) e os sequestradores executaram o magnata. […]” (cf. AQUI, p.61 e ss.).
“[…] Schleyer wurde am 5. September 1977 von RAF-Terrorist*innen mit dem Ziel entführt, die Freilassung von elf in der BRD inhaftierten RAF-Mitgliedern in Form eines Geiselaustausches zu erwirken. Die Bundesregierung lehnte eine Freilassung ab. Als auch die Entführung der Lufthansa Passagiermaschine „Landshut“ in Mogadischu/Somalia durch die Befreiung der Geiseln letztlich gescheitert war und sich daraufhin drei der Inhaftierten das Leben nahmen, wurde Schleyer noch am selben Tag ermordet. Seine Leiche wurde am 19. Oktober 1977 im Kofferraum eines verlassenen Autos in Mülhausen/Frankreich gefunden. […]” (cf. AQUI).
4.5.6. Sobre estes eventos, na década de 1970, no continente asiático, pode consultar a seguinte obra: O Livro Negro do Comunismo, disponível em:
https://archive.org/details/courtois-o-livro-negro-do-comunismo-crimes-terror-e-repressao
7. Ol-chade (cf. Encyclopædia Iranica):
“Čādor “tent,” […] Depending on their size, the richness of their decoration, and their interior arrangements, they can be the dwellings of either powerful nomad chiefs (formerly even of kings and their courts during the summer) […]”
“[…] In the Islamic period čādor, or čādar (lw. in Ar. šāder), […]”:
7.8. Mohamed Reza Pahlavi, rei da Pérsia (atual Irão), governou o país como imperador, até o regime monárquico ser abolido em 1979:
“[…] Mohammad Reza Shah Pahlavi […] iniciou um programa de modernização e de ocidentalização do país. Este facto originou o ódio dos líderes religiosos, particularmente dos muçulmanos xiitas ortodoxos. Na década de 70 gerou-se um descontentamento geral. Em 1979 o Governo entrou em colapso e Pahlavi teve de fugir do país. Nesse ano regressou triunfalmente ao Irão Ruhollah Khomeini, um ayatollah xiita, vindo do exílio em Paris. Imediatamente instaurou no país uma república islâmica e proibiu todas as influências ocidentais, para além de nacionalizar a maior parte das indústrias, dos bancos e das seguradoras”:
https://www.infopedia.pt/artigos/$irao
CONCLUSÃO
Por tudo o que acima ficou exposto, é possível concluir que as visões que Nostradamus descreve, nesta Vigésima primeira Profecia, se referem a factos correlacionados da mesma época histórica: a década de 1970.
Análise da Vigésima segunda Profecia :
| De mort mérite ne mourra ne par sort , | 1. De morte merecida não morrerá nem por acaso [quem é responsável por], | A expressão refere-se à impunidade jurídica dos ditadores da Penísnsula Ibérica: Salazar e Franco (cf. abaixo) |
| Morts , profligez dedans le Cheronese , | 2. Mortes, profligados no interior da Península [Ibérica], | profligados, no sentido de flagelados, reprimidos (profligez, do latim profligāre) ; Península = Cheronese, do grego antigo Χερσόνησος (a grafia sem o primeiro “s” era comum no francês médio e no francês clássico inicial: cf. AQUI) |
| La Ligue neuve d’Ausonne fera guerre , | 3. A nova Liga de Ausone lutará, | Ausonne: existe uma comuna real chamada Aussonne, localizada no departamento de Alto Garona, na área metropolitana de Toulouse ; Ausone: um autor do século XVI poderia perfeitamente utilizar o nome de Ausónio (Decimus Magnus Ausonius) como uma referência simbólica, clássica e erudita tanto à cidade de Toulouse quanto à região da Aquitânia (cf. AQUI). fará guerra = lutará (fará oposição severa e resistirá politicamente de forma agressiva) |
| Pres du grand fleuve par fausse soupçon : | 4. Perto do grande rio [Tibre] por falsas suspeitas: | grande rio = rio Tibre (o rio que atravessa Roma) |
| Quand dans le regne parviendra le boiteux , | 5. Quando no país já não se acreditar nos primeiros rumores nem nas primeiras notícias, | reino = país ; boiteux = manco, desiquilibrado, Expr. fig. alguém que sofre de uma deficiência física ou intelectual, azarento. Fig. que não está bem assente, que apresenta defeitos, irregularidades ou fraquezas. “On dit encore prov. qu’Il faut attendre le boiteux, pour dire, qu’Il ne faut pas croire les premiers bruits ny les premieres nouvelles” (cf. AQUI). |
| Plainct d’avoir faict à son chef moquerie. | 6. [Diz-se o povo] arrependido de ter zombado do seu chefe [de governo ]. | Plainct (Plaint, ainte. part.) = arrependido (cf. AQUI) ; Faire moquerie de. “Se moquer de” : Quant des Anglois, qui que s’en rie Ou pleure, il en est sué. Le temps avenir moquerie En sera fait (cf. AQUI). |
| …………………………………………….. | …………………………………………….. | …………………………………………….. |
| Le tiers climat sous Aries comprins , | 7. O terceiro clima sob o signo de Áries, | A expressão refere-se ao Médio Oriente (cf. abaixo) |
| Present en Perse au nouveau Roy craintif. | 8. Amedrontado, [será] apresentado ao novo Líder Supremo no Irão. | Pérsia = Irão ; Rei = Líder Supremo |
| [Veja também AQUI e AQUI] | [A adaptação à língua portuguesa é da minha responsabilidade.] |
Les Prophéties de M. Michel Nostradamus
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1.2.3. António de Oliveira Salazar morreu em 1970, convencido de que ainda possuía o exercício pleno do poder. Francisco Franco morreu em 1975, também no poder. Nenhum dos dois ditadores responsáveis por ‘mortes’ e ‘flagelados’ (torturados, reprimidos), recebeu a ‘morte merecida’, segundo Nostradamus ; O sul da França, incluindo a cidade de Toulouse e a região da Aquitânia (que tinha Bordeaux como seu principal polo), foi um dos grandes berços e palcos de atuação de movimentos sociais e políticos de esquerda (cf. AQUI) ; Há relatórios sobre a Resistência e imigração, disponibilizados nos arquivos departamentais de FranceArchives (cf. AQUI e AQUI).
4.5.6. Descreve o caso do rapto e assassinato do Primeiro-Ministro italiano Aldo Moro, pelas Brigadas Vermelhas, em maio de 1978. Foi um dos capítulos mais sombrios e complexos da história europeia ; O grande rio: O corpo de Aldo Moro foi encontrado na mala de um Renault 4, estacionado na Via Caetani em Roma. Essa rua ficava exatamente a meio caminho entre as sedes de dois grandes partidos políticos rivais (Democracia Cristã e Partido Comunista Italiano), num alinhamento geográfico muito próximo ao Rio Tibre ; falsas suspeitas: Durante os 55 dias em que esteve sequestrado, Moro foi alvo de intensas falsas suspeitas e campanhas de desinformação. O próprio governo italiano e figuras de seu próprio partido decidiram não negociar com os terroristas, levantando dúvidas sobre a veracidade e a liberdade por trás das cartas desesperadas que Moro escrevia do cativeiro ; O zombar e o arrependimento: Na época, muitos políticos e intelectuais zombaram ou minimizaram a gravidade das cartas de Moro, considerando-as declarações “enfraquecidas” ou indignas de um estadista. Após o seu assassinato, houve um profundo arrependimento nacional e uma revisão histórica: muitos perceberam tarde demais que as súplicas de Moro eram genuínas e que o Estado falhou tragicamente em protegê-lo. Sobre este caso, cf. Mythmaking & the Aldo Moro case ; cf. Terrorism Vanquished: the Italian Approach to Defeating Terror ; cf. The Moro Affair – Left-Wing Terrorism and Conspiracy in Italy in the Late 1970s:
“Rome, March 16, 1978, shortly after 9am: The president of the Christian Democratic Party (DC), Aldo Moro, is on his way to the Chamber of Deputies where a vote of confidence in the second minority government of Giulio Andreotti is about to occur. He is accompanied by his five bodyguards. Suddenly a Fiat blocks the way. The passengers of the Fiat, members of the lef-twing terrorist group Red Brigades, open fire. […]” (p. 232).
7. Historicamente, a Terra foi dividida em sete climas pelos geógrafos e astrólogos antigos (como Ptolomeu). Tratava-se de faixas latitudinais distintas que atravessavam o globo, cada uma associada a regiões geográficas específicas e regida por diferentes planetas. Cf. Christian astrology … in three books:
“[…] Countries. Saromatia, Lumbardy, Batavia, Ferraria, Gothland, and the third Climate […]” (cf. p. 68).
7.8. No contexto da Revolução Iraniana de 1979, quem foi apresentado, amedrontado, ao novo Líder Supremo foi o General Nematollah Nassiri (ex-diretor da temida SAVAK, a polícia secreta do Xá), juntamente com outros generais leais ao antigo regime. A cena histórica e dramática ocorreu logo após a queda da monarquia. Nassiri, que havia sido capturado pelas forças revolucionárias, foi levado ferido e visivelmente amedrontado perante o aiatola Ruhollah Khomeini na escola Alavi (que servia de quartel-general provisório), cf. AQUI.
“[…] Four generals — including Nematollah Nassiri, the former head of Savak, were shot to death just before midnight last Thursday on the roof of the military headquarters of Ayatollah Ruhollah Khomeini, the religious leader, who led the campaign to topple the Shah. […] ” ( cf. AQUI).
CONCLUSÃO
Por tudo o que acima ficou exposto, é possível concluir que as visões que Nostradamus descreve, nesta Vigésima segunda Profecia, se referem a factos correlacionados da mesma época histórica: a década de 1970.
Análise da Vigésima quinta Profecia :
| Apres avoir bien long temps attendu , | 1. Depois de ter esperado durante muito tempo, | |
| Un plus grand nombre de Gascons battre à pied , | 2. Um maior número de mercenários oferece resistência (a), | soldados contratados/mercenários = Gascões (que consolidaram essa reputação, durante a Baixa Idade Média: cf. AQUI) |
| Grand clade proche , & combat tresacerbe , | 3. Grande clado próximo, e o combate [fica] mais acerbo, | clado próximo = clado irmão (parentesco genético) |
| De lepre aura à vingt ans grande tache , | 4. De pandemia haverá aos vinte anos [uma] grande mácula, | pandemia = lepra ; (anos vinte do século?) = aos vinte anos |
| La grand cité d’assaut prompt & repentin , | 5. A metrópole assaltada rápido e inesperadamente, | metrópole = grande cidade |
| Sera trahie par Lozan & Souysses. | 6. Será traída por (Lozan?) e suíços (ou Suíça?). | (Lozan?) ; Souysses = (Suíça?) : cf. abaixo. |
| …………………………………………….. | …………………………………………….. | …………………………………………….. |
| Le camp plus grand de route mis en fuite , | 7. O maior contingente de imediato neutralizado, | O maior contingente = O maior acampamento no campo de batalha (cf. AQUI) ; No francês do séc. XVI: de route = de imediato, em seguida ; mettre en fuite = neutralizar, pôr em fuga (cf. AQUI) |
| Double phalange ; grand abandonnera. | 8. Duas unidades militares ; [um homem] grande renunciará. | Duas unidades militares = Dupla falange ; abandonner = desistir de, abandonar, renunciar. |
| [Veja também AQUI e AQUI] | [A adaptação à língua portuguesa é da minha responsabilidade.] |
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1.2.3. Guerra fratricida: conflito armado entre dois “povos irmãos”, descendentes de um mesmo ancestral. Esta guerra, que germina durante muito tempo (cf. AQUI), termina num conflito armado em que também entram mercenários, aumentando o clima de violência, anteriormente gerado.
4.5.6. Nostradamus elege o termo ‘lepra’ para designar a pandemia, na década de 2020. O termo ‘peste’ só é por ele mencionado quando se refere realmente à peste.
6. (Lozan = Lausanne?): parece-me muito pouco provável. No século XVI, a grafia seria Lausane ou Lausanne ; Les Ligues Suisses (ou des Suisses) era a forma comum para descrever a união dos treze cantões:
“[…] M. le professeur A. Bernus a eu l’heureuse idée de réunir en une brochure les articles parus dans la Gazette de Lausanne sur l’Imprimerie à Lausanne aux XVe et XVIe siècles. Cet exposé si clair et si précis rappellera aux amis du Vieux Lausanne les intéressants souvenirs de leurs visites à l’exposition de l’an passé.”
” L’apparition d’une comète remplit d’émotion les cantons suisses ; la Diète évangélique se réunit au mois de janvier 1665 […]”:
7.8. Como ninguém consegue ver bem o que está muito perto, abstenho-me de comentar este terceiro evento da Vigésima quinta Profecia.
CONCLUSÃO
Por tudo o que acima ficou exposto, é possível concluir que as visões que Nostradamus descreve, nesta Vigésima quinta Profecia, se referem a três factos correlacionados da mesma época histórica: a década de 2020.
Análise da Vigésima sexta Profecia :
| Tost, tard venu à si haut & bas aage , | 1. De imediato, [por quem] chegou jovem à idade avançada, | |
| Des prosligez et resveurs fait Asyle : | 2. Alguns contribuintes e sonhadores [a quem] deu asilo/refúgio: | prosligez: (pros, do grego ) + (lige, do francês arcaico) + (s ou z) = (para)vassalo(s) = contribuintes, (profissionais?) |
| Punis d’Edict, chassez, comme scelestes , | 3. [São] punidos por édito, expulsos, como criminosos, | scelestes: (do latim scelestus -ī) = criminoso(s), malfeitor(es) |
| Par tout son règne desert la fleur de lys : | 4. Em todo o seu reino a flor-de-lis [encontra-se] devastada: | (desert, p. pas. e adj., do francês arcaico) = despojado, arruinado (referindo-se a pessoas), ou = devastado, em estado de abandono (referindo-se a coisas) |
| Le changement sera fort difficile , | 5. A conversão exigirá um esforço muito grande, | conversão = mudança ; fort difficile = Difícil, ou que demonstra a energia do seu autor (cf. AQUI) |
| Nud se verra en piteux desarroy. | 6. Nu ver-se-á numa desordem lamentável. | Nu, no sentido de descoberto, exposto |
| …………………………………………….. | …………………………………………….. | …………………………………………….. |
| Corps sublimes sans fin à l’œil visibles : | 7. Corpos celestes sem fim visíveis a olho nu: | |
| Ciutad trahido per cinq lengos non nudos. | 8. Cidade traída por cinco línguas não nuas. | não nuas = não verdadeiras |
| [Veja também AQUI e AQUI] | [A adaptação à língua portuguesa é da minha responsabilidade.] |
Les Prophéties de M. Michel Nostradamus
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1.2.3. Não é necessário comentar este primeiro evento da Vigésima sexta Profecia.
4.5.6. “[…] sua importância e presença […], no Ocidente, […]. A flor-de-lis ou de lírio é um símbolo de pureza, virgindade e perfeição na cristandade, […]. Símbolo de amor e glória, o lírio traduz a confiança, o abandono completo e a dedicação a Deus,[…]” (cf. AQUI). A conversão aqui descrita por Nostradamus traz-me à memória a imagem da ave mitológica que renasce da cinzas.
7.8. No tempo de Nostradamus, o surgimento de “corpos celestes” (em conformidade com a terminologia astronómica do século XVI) “visíveis a olho nu” era sempre um prenúncio de castigo divino que requeria atos de penitência, como se pode ler no excerto abaixo citado. Contudo, anunciado aqui por um astrólogo, no contexto deste terceiro evento da Vigésima sexta Profecia, esse prenúncio também pode representar uma ameaça de guerra. Esta última interpretação aparece reforçada pela escolha do antigo provençal, na segunda sentença (o terceiro evento de cada Profecia é sempre só descrito nas duas últimas sentenças), para declarar que uma “cidade” será traída por cinco línguas (cinco países com idiomas diferentes? Os Membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas?). Neste caso concreto, a “cidade” é a do trovador, ou seja, representa a cultura da corte, no seio da qual germinaria o conceito de ‘civilização’ (cf. AQUI, p. 58 e ss.) em que assenta a nossa cultura ocidental, desde a Revolução Francesa (vaticinada por Nostradamus na Primeira Profecia (cf. acima) ; e na Segunda Profecia (cf. acima).
“L’apparition d’une comète remplit d’émotion les cantons suisses ; la Diète évangélique se réunit au mois de janvier 1665 et décida que cet astre était le précurseur funeste de toute sorte de châtiments, et qu’il y avait lieu de s’humilier dans un jour de pénitence extraordinaire” (cf. AQUI).
CONCLUSÃO
Por tudo o que acima ficou exposto, é possível concluir que as visões que Nostradamus descreve, nesta Vigésima sexta Profecia, (a última), se referem a factos correlacionados da mesma época histórica: o tempo presente, e um futuro próximo.
Os eventos são descritos de forma sintética, mas não vaga, como por vezes se supõe.
As mensagens transmitidas por meio das vinte e seis Profecias encontram-se sempre mais ou menos envolvidas por uma leve aura de mistério. Contudo, essa aura misteriosa – conseguida, principalmente, através da introdução de alguns elementos simbólicos num discurso sintético (direto e conciso) – apresenta-se unicamente como um recurso estilístico, ao serviço da mensagem que Nostradamus pretende transmitir.
São sempre mensagens complexas e profundas que – para serem corretamente decodificadas – obrigam o(a) possível leitor(a) a analisar o discurso, a refleti-lo, e a estudar o(s) contexto(s) histórico(s) em que podem ter ocorrido – quando a mensagem se refere a factos passados. Quanto aos eventos que ainda estão por acontecer, esses podem ser lidos com os olhos do presente. Por duas razões: primeiro, porque Nostradamus só profetizou até ao nosso tempo; segundo, porque o futuro somos nós que o construímos, com os nossos atos (e omissões) presentes.

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