Análise das profecias de Nostradamus (2)


Análise da Vigésima quinta Profecia :


Apres avoir bien long temps attendu ,1. Depois de ter esperado durante muito tempo,
Un plus grand nombre de Gascons battre à pied ,2. Um maior número de mercenários oferece resistência (a),soldados contratados/mercenários = Gascões (que consolidaram essa reputação, durante a Baixa Idade Média: cf. AQUI)
Grand clade proche , & combat tresacerbe ,3. Grande clado próximo, e o combate [fica] mais acerbo,clado próximo = clado irmão (parentesco genético)
De lepre aura à vingt ans grande tache ,4. De pandemia haverá aos vinte anos [uma] grande mácula,pandemia = lepra ; (anos vinte do século?) = aos vinte anos
La grand cité d’assaut prompt & repentin ,5. A metrópole assaltada rápido e inesperadamente,metrópole = grande cidade
Sera trahie par Lozan & Souysses.6. Será traída por (Lozan?) e suíços (ou Suíça?). (Lozan?) ; Souysses = (Suíça?) : cf. abaixo
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Le camp plus grand de route mis en fuite ,7. O maior contingente de imediato neutralizado, O maior contingente = O maior acampamento no campo de batalha (cf. AQUI) ; No francês do séc. XVI: de route = de imediato, em seguida ; mettre en fuite = neutralizar, pôr em fuga (cf. AQUI)
Double phalange ; grand abandonnera.8. Duas unidades militares ; [um homem] grande renunciará.Duas unidades militares = Dupla falange ; abandonner = desistir de, abandonar, renunciar.
[Veja também AQUI e AQUI][A adaptação à língua portuguesa é da minha responsabilidade.]


https://archive.org/details/lesprophtiesdemm00nost/page/n7/mode/2up


1.2.3. Guerra fratricida: conflito armado entre dois “povos irmãos”, descendentes de um mesmo ancestral. Esta guerra, que germina durante muito tempo (cf. AQUI), termina num conflito armado em que também entram mercenários, aumentando o clima de violência, anteriormente gerado.


4.5.6. Nostradamus elege o termo ‘lepra’ para designar a pandemia, na década de 2020. O termo ‘peste’ só é por ele mencionado quando se refere realmente à peste.


6. (Lozan = Lausanne?): parece-me muito pouco provável. No século XVI, a grafia seria Lausane ou Lausanne ; Les Ligues Suisses (ou des Suisses) era a forma comum para descrever a união dos treze cantões:


” […] M. le professeur A. Bernus a eu l’heureuse idée de réunir en une brochure les articles parus dans la Gazette de Lausanne sur l’Imprimerie à Lausanne aux XVe et XVIe siècles. Cet exposé si clair et si précis rappellera aux amis du Vieux Lausanne les intéressants souvenirs de leurs visites à l’exposition de l’an passé.”

” L’apparition d’une comète remplit d’émotion les cantons suisses ; la Diète évangélique se réunit au mois de janvier 1665 […]”:


https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a8/Revue_historique_vaudoise_(IA_revuehistoriquev1119unse).pdf


7.8. Como ninguém consegue ver bem o que está muito perto, abstenho-me de comentar este terceiro evento da Vigésima quinta Profecia.


Por tudo o que acima ficou exposto, é possível concluir que as visões que Nostradamus descreve, nesta Vigésima quinta Profecia, se referem a três factos correlacionados da mesma época histórica: a década de 2020.

Mais uma vez (cf. AQUI), os eventos são descritos de forma sintética, mas não vaga, como por vezes se supõe.

As mensagens transmitidas por meio das vinte e seis Profecias encontram-se sempre mais ou menos envolvidas por uma leve aura de mistério. Contudo, essa aura misteriosa – conseguida, principalmente, através da introdução de alguns elementos simbólicos num discurso sintético (direto e conciso) – apresenta-se unicamente como um recurso estilístico, ao serviço da mensagem que Nostradamus pretende transmitir.

São sempre mensagens complexas e profundas que – para serem corretamente decodificadas – obrigam o(a) possível leitor(a) a analisar o discurso, a refleti-lo, e a estudar o(s) contexto(s) histórico(s) em que podem ter ocorrido – quando a mensagem se refere a factos passados. Quanto aos eventos que ainda estão por acontecer, esses podem ser lidos com os olhos do presente. Por duas razões: primeiro, porque Nostradamus só profetizou até ao nosso tempo; segundo, porque o futuro somos nós que o construímos, com os nossos atos (e omissões) presentes.


Fernanda Alves Afonso Grieben

fe@revisitar.com

Sou pintora, originária do Norte de Portugal, mas resido atualmente na Alemanha. Também gosto de escrever textos literários, sobretudo para a infância. Faço-o, principalmente, para mim própria. No entanto, alegro-me sempre que encontro uma possibilidade de partilhar a minha escrita com as demais crianças, de todas as idades. Sou Mestre em Teologia (UCP); Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas – variante de Estudos Portugueses e Doutorada em Estudos Portugueses, na especialidade de Literatura Portuguesa (UAb).

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