Análise das profecias de Nostradamus (3)
Análise da Vigésima sexta Profecia :
| Tost, tard venu à si haut & bas aage , | 1. De imediato, [por quem] chegou jovem à idade avançada, | |
| Des prosligez et resveurs fait Asyle : | 2. Alguns contribuintes e sonhadores [a quem] deu asilo/refúgio: | prosligez: (pros, do grego ) + (lige, do francês arcaico) + (s ou z) = (para)vassalo(s) = contribuintes, (profissionais?) |
| Punis d’Edict, chassez, comme scelestes , | 3. [São] punidos por édito, expulsos, como criminosos, | scelestes: (do latim scelestus -ī) = criminoso(s), malfeitor(es) |
| Par tout son règne desert la fleur de lys : | 4. Em todo o seu reino a flor-de-lis [encontra-se] devastada: | (desert, p. pas. e adj., do francês arcaico) = despojado, arruinado (referindo-se a pessoas), ou = devastado, em estado de abandono (referindo-se a coisas) |
| Le changement sera fort difficile , | 5. A conversão exigirá um esforço muito grande, | conversão = mudança ; fort difficile = Difícil, ou que demonstra a energia do seu autor (cf. AQUI) |
| Nud se verra en piteux desarroy. | 6. Nu ver-se-á numa desordem lamentável. | Nu, no sentido de descoberto, exposto |
| …………………………………………….. | …………………………………………….. | …………………………………………….. |
| Corps sublimes sans fin à l’œil visibles : | 7. Corpos celestes sem fim visíveis a olho nu: | |
| Ciutad trahido per cinq lengos non nudos. | 8. Cidade traída por cinco línguas não nuas. | não nuas = não verdadeiras |
| [Veja também AQUI e AQUI] | [A adaptação à língua portuguesa é da minha responsabilidade.] |
Les Prophéties de M. Michel Nostradamus
https://archive.org/details/lesprophtiesdemm00nost/page/n7/mode/2up
1.2.3. Não é necessário comentar este primeiro evento da Vigésima sexta Profecia.
4.5.6. “[…] sua importância e presença […], no Ocidente, […]. A flor-de-lis ou de lírio é um símbolo de pureza, virgindade e perfeição na cristandade, […]. Símbolo de amor e glória, o lírio traduz a confiança, o abandono completo e a dedicação a Deus,[…].” (cf. AQUI). A conversão aqui descrita por Nostradamus traz-me à memória a imagem da ave mitológica que renasce da cinzas.
7.8. No tempo de Nostradamus, o surgimento de “corpos celestes” (em conformidade com a terminologia astronómica do século XVI) “visíveis a olho nu” era sempre um prenúncio de castigo divino que requeria atos de penitência, como se pode ler no excerto abaixo citado. Contudo, anunciado aqui por um astrólogo, no contexto deste terceiro evento da Vigésima sexta Profecia, esse prenúncio também pode representar uma ameaça de guerra. Esta última interpretação aparece reforçada pela escolha do antigo provençal, na segunda sentença (o terceiro evento de cada Profecia é sempre só descrito nas duas últimas sentenças), para declarar que uma “cidade” será traída por cinco línguas (cinco países com idiomas diferentes? Os Membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas?). Neste caso concreto, a “cidade” é a do trovador, ou seja, representa a cultura da corte, no seio da qual germinaria o conceito de ‘civilização’ (cf. AQUI, p. 58 e ss.) em que assenta a nossa cultura ocidental, desde a Revolução Francesa (vaticinada por Nostradamus na Primeira Profecia, cf. AQUI e AQUI).
“L’apparition d’une comète remplit d’émotion les cantons suisses ; la Diète évangélique se réunit au mois de janvier 1665 et décida que cet astre était le précurseur funeste de toute sorte de châtiments, et qu’il y avait lieu de s’humilier dans un jour de pénitence extraordinaire. ” (cf. AQUI)
CONCLUSÃO
Por tudo o que acima ficou exposto, é possível concluir que as visões que Nostradamus descreve, nesta Vigésima sexta Profecia, (a última), se referem a factos correlacionados da mesma época histórica: o tempo presente, e um futuro próximo.
Os eventos são descritos de forma sintética, mas não vaga, como por vezes se supõe.
As mensagens transmitidas por meio das vinte e seis Profecias encontram-se sempre mais ou menos envolvidas por uma leve aura de mistério. Contudo, essa aura misteriosa – conseguida, principalmente, através da introdução de alguns elementos simbólicos num discurso sintético (direto e conciso) – apresenta-se unicamente como um recurso estilístico, ao serviço da mensagem que Nostradamus pretende transmitir.
São sempre mensagens complexas e profundas que – para serem corretamente decodificadas – obrigam o(a) possível leitor(a) a analisar o discurso, a refleti-lo, e a estudar o(s) contexto(s) histórico(s) em que podem ter ocorrido – quando a mensagem se refere a factos passados. Quanto aos eventos que ainda estão por acontecer, esses podem ser lidos com os olhos do presente. Por duas razões: primeiro, porque Nostradamus só profetizou até ao nosso tempo; segundo, porque o futuro somos nós que o construímos, com os nossos atos (e omissões) presentes.

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