Análise das profecias de Nostradamus (4)


Análise da Primeira Profecia :


FLAMBE exigue sortant de sollitude ,1. Chama exígua que irrompe de lugar ermo,
Et seront faces de leurs manteaux couverts ,2. E as faces serão cobertas por seus mantos,
Bourg & cité auront plus grand debat ,3. Vila e cidade terão a maior das contendas,Vila = Burgo (povoação que se desenvolveu sob a proteção de um núcleo fortificado: castelo, paço ou mosteiro).
Le vent contraires, letres au chemin prinses :4. O vento [sopra] de sentidos contrários, cartas apreendidas no caminho:
Combien de fois prinse cité solaire 5. Quantas vezes [foste] tomada cidade solarcidade solar = Paris
Temple Melites et proches isles vuides.6. [A dos] Templários e [outras] ilhas desaparecidas.Temple Melites = [ilha dos] Templários: Île aux juifs, que também ficou conhecida como Île des Templiers (cf. AQUI) ; ilhas desaparecidas (cf. AQUI)
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Dans peu dira faulce brute fragile ,7. Em breve dirá falso selvagem pusilânime,
Et ses vieux siens contre eux sedition.8. E seus antigos súbditos contra eles sedição.
[Veja também AQUI][A adaptação à língua portuguesa é da minha responsabilidade.]


https://archive.org/details/lesprophtiesdemm00nost/page/n7/mode/2up


1.2.3. Clima de conspiração oculta, alimentado por profundas tensões entre o mundo rural e o urbano. O grande medo de 1789, cf. AQUI.


4.5.6. Descreve um contexto turbulento, em que forças opostas agem em simultâneo. A apreensão e a interceptação de cartas e documentos foram práticas comuns e cruciais durante a Revolução Francesa (1789-1799), cf. AQUI.


7.8. A Revolução Francesa (resumo), cf. AQUI.


Por tudo o que acima ficou exposto, é possível concluir que as visões que Nostradamus descreve, nesta Primeira Profecia, se referem a factos correlacionados da mesma época histórica: a da Revolução Francesa (1789-1799).

Os eventos são descritos de forma sintética, mas não vaga, como por vezes se supõe.

As mensagens transmitidas por meio das vinte e seis Profecias encontram-se sempre mais ou menos envolvidas por uma leve aura de mistério. Contudo, essa aura misteriosa – conseguida, principalmente, através da introdução de alguns elementos simbólicos num discurso sintético (direto e conciso) – apresenta-se unicamente como um recurso estilístico, ao serviço da mensagem que Nostradamus pretende transmitir.

São sempre mensagens complexas e profundas que – para serem corretamente decodificadas – obrigam o(a) possível leitor(a) a analisar o discurso, a refleti-lo, e a estudar o(s) contexto(s) histórico(s) em que podem ter ocorrido – quando a mensagem se refere a factos passados. Quanto aos eventos que ainda estão por acontecer, esses podem ser lidos com os olhos do presente. Por duas razões: primeiro, porque Nostradamus só profetizou até ao nosso tempo; segundo, porque o futuro somos nós que o construímos, com os nossos atos (e omissões) presentes.


Fernanda Alves Afonso Grieben

fe@revisitar.com

Sou pintora, originária do Norte de Portugal, mas resido atualmente na Alemanha. Também gosto de escrever textos literários, sobretudo para a infância. Faço-o, principalmente, para mim própria. No entanto, alegro-me sempre que encontro uma possibilidade de partilhar a minha escrita com as demais crianças, de todas as idades. Sou Mestre em Teologia (UCP); Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas – variante de Estudos Portugueses e Doutorada em Estudos Portugueses, na especialidade de Literatura Portuguesa (UAb).

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