O caminho com Deus não é isento de provações
Só quando nos libertamos do egocentrismo – que nos leva a crer, falsamente, que o Amor de Deus precisa de ser conquistado –, nos é dada a possibilidade de experienciar o seu verdadeiro Amor, que é gratuito. O Criador – que é nossa Mãe, e é nosso Pai – não espera que nós caminhemos até Ele. É Ele próprio quem vem ao nosso encontro, para nos convidar a caminhar com Ele, interiormente, num eterno presente. Porque o caminho com Deus não se realiza na linearidade do tempo: não conhece passado, nem futuro. É um caminho que se faz sempre no presente – no Aqui e Agora –, e que começa sempre de novo. Porque é um caminho de plena Liberdade. Porque Deus nos criou Livres. Não somos servos, somos Filhos do Amor. Por isso, o caminho que realizamos com Deus, é um caminho que nos ensina a confiar num Criador que nos Ama, que nos conduz, que nos acompanha, que nos ampara, que nunca se ausenta, mesmo quando nós vacilamos, duvidamos ou até lhe viramos as costas. Porque o caminho com Deus não é um caminho isento de provações – porque nenhum caminho de Amor é isento de provações. O Amor é exigente, exige de nós confiança, ajuda-nos a crescer nele e com ele. Assim, o caminho que realizamos com Deus também é um caminho de Confiança que nos permite viver em plenitude a Fé, a Esperança e o Amor (altruísta, incondicional), de que nos fala São Paulo, no capítulo treze da primeira Carta aos Coríntios. Um texto que eu nunca me canso de ler e reler:

«Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e dos anjos, se eu não tivesse a caridade, seria como um bronze que soa ou como um címbalo que tine. Ainda que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência, ainda que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse a caridade, eu nada seria. Ainda que eu distribui-se todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse a caridade, isso nada me adiantaria. A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade jamais passará.» (1Cor 13)
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