JOVEM, a EUROPA é tua!


Dia da Europa | 9 de maio 2023


Neste 9 de maio, em que celebramos o Dia da Europa, coloco abaixo um conto da minha autoria.

Os adultos não estão impedidos de o ler, mas é a ti, JOVEM, que eu o dedico. Foi pensando em ti, a quem o futuro da Europa pertence, que o escrevi.

Confio que serás capaz de o construir, esse FUTURO, de forma responsável. Confio na tua capacidade para estabelecer uma nova ordem de valores, uma nova vida, neste velho mundo, a precisar de reformas, e de que alguns dos atuais governantes se reformem…


Uma palavra à procura do seu significado


Há já muitos e muitos anos, foi inventada uma palavra. Era uma palavra simples, pequena e pouco usada. Ninguém sabia ao certo o que ela significava, e, a certa altura, a palavra foi esquecida. Mas qualquer palavra, uma vez inventada, fica a existir para sempre. Assim também aconteceu com esta que, embora as pessoas a tivessem esquecido, ainda existia, vagueando pelo mundo à procura do seu significado…

Foi numa manhã de primavera que a palavra chegou a uma grande cidade alemã. Passeou pelos largos passeios repletos de pessoas em permanente movimento. Assustou-se com o buzinar dos carros e com o ruído estridente provocado pelas rodas dos elétricos em andamento sobre os carris. Entrou nos estabelecimentos comerciais e observou os vendedores atarefados a vender todo o tipo de produtos, e os compradores apressados a levá-los consigo em sacos de plástico ou de papel. Questionou-se se estaria ali o seu significado, mas deduziu que não, porque não se sentia bem no meio de toda aquela barafunda.

Entrou num parque. Aproximou-se de um pequeno riacho de águas límpidas e serenas, viu-se nele espelhada com todas as suas letras, e perguntou-lhe:

 – Está dentro de ti o meu significado?

 – Não – respondeu-lhe o riacho. – Eu só reflito a tua imagem, não contenho o teu significado!

 A palavra seguiu o seu caminho, entristecida, e avistando uma árvore de tronco forte e áspero, resolveu trepar por ele. 

Subiu com todas as suas letras colocadas em fila, uma após outra, de mãos dadas. Era uma árvore muito alta, e a subida foi cansativa; por isso, quando a palavra deparou com um ninho de pássaros, num dos ramos, decidiu entrar nele para descansar um pouco, e adormeceu…

Voltando, porém, o pássaro ao seu ninho, ficou muito irritado por encontrar nele uma palavra desconhecida. Agarrando-a pelo bico, voou então com ela para muito longe e lançou-a, por fim, lá do alto para a terra. Atordoadas, as pobres letras iam caindo a toda a velocidade, agarrando-se umas às outras conforme podiam. E nestas trocas e baldrocas, chocaram finalmente com o solo, ficando todas fora do seu lugar, e uma ou outra até de pernas para o ar.

Uma verdadeira confusão pairava no espírito da pobre palavra que, com tantos trambolhões, já não era capaz de se lembrar da verdadeira sequência das suas letras. “E agora?”, pensava aflita, “Como vou eu encontrar o meu significado, se já não sei quem sou?” Mais triste do que nunca, desatou a chorar, dando leves gritos de desespero.

Uma flor, que tinha brotado perto daquele lugar e ainda não se recompusera totalmente do enorme susto que tinha levado, por a palavra lhe ter caído quase em cima, condoeu-se dela e resolveu perguntar-lhe:

– Mas minha querida, porque chora dessa maneira? Magoou-se muito?

– Não, de forma alguma! Eu sou uma palavra, e palavras não se magoam. Nós já estamos habituadas a andar por todo o lado e como calha…

– Mas então, porquê tanto desespero? É de fazer dó!

– E não é razão para menos! Imagine que as minhas letras saíram todas dos seus lugares, durante a queda. E como as pessoas já se esqueceram de mim, como vou encontrar alguém que me possa dizer qual é a ordem correta das minhas letras?

– Ah, que maçada!… Então quer dizer que agora já não sabe quem é?

– Como posso saber, se já não faço sentido?! E havia de me ter acontecido semelhante desgraça antes de ter encontrado o meu significado!

–  Ah! Procurava então o seu significado?

– Disse bem, procurava! Porque a partir de agora já não me vai ser possível continuar a procurá-lo… Ai que tristeza a minha! Estou perdida…

– Talvez não… Sabe que existe uma escola perto daqui? Eu, no seu lugar, ia visitá-la. Todas as manhãs, passam perto de mim muitos jovens que se dirigem para lá. E eu já ouvi alguns deles a repetir em voz alta os significados de diferentes palavras que eles têm de aprender.

– Acha que alguém seria capaz de me reconhecer, apesar da desordem em que me encontro?

– Quem sabe?! É uma questão de tentar.

A palavra agradeceu à flor o conselho amigo, e partiu em direção à escola…


© cirodelia – stock.adobe.com

Era tempo de recreio, quando chegou a uma das salas de aula. A professora tinha ido para a sala dos professores conversar com os colegas, e os alunos recreavam-se ao ar livre.

Sem saber ao certo o que fazer, a palavra foi passeando por cima das mesas de estudo, observando os livros e os cadernos com atenção. Por fim, descobriu um quadro verde ao fundo da sala, junto da secretária da professora, onde já algumas palavras se encontravam escritas. 

“Parece-me o lugar ideal para chamar a atenção dos jovens…”, ponderava a palavra, enquanto percorria a superfície do quadro onde iria colocar-se.

A professora e os alunos regressaram do recreio e, vendo aquela palavra nova no quadro, admiraram-se dela, porque era uma palavra sem sentido. Tinha este aspeto: IDFNDERE.

 – Quem escreveu esta palavra no quadro? Perguntou a professora, intrigada.

Ninguém sabia de nada. Os alunos, silenciosos, admiravam aquela palavra estranha, com grandes olhos de espanto. Qual seria o seu significado? A professora resolveu a questão, sugerindo:

– As letras desta palavra estão desordenadas. Assim, a palavra não tem qualquer significação. Vamos fazer um jogo com as suas letras e tentar encontrar a palavra original.

Todos os alunos se esforçaram por formar palavras com sentido. Passados alguns minutos, o quadro já estava cheio. Escreveram em alemão:  FREI, REIFE, NEID, FEIND, DIENER, DEINE, DEINER, REDE, REDEN, EIFER, ENDE, FEIN, IDEE, IDEEN, FEDER, EDEN, EINE, EINER, FERIEN, FEIER, FEIERN, DER, DIE, DREI[1]

Muito se admirou a palavra de se ver rodeada de tantas outras palavras formadas por algumas das suas letras. Afinal de contas, ela era uma palavra pequena e simples!… No entanto, nenhuma delas era a palavra que ela tinha sido antes da queda. Pois, nenhuma dessas palavras integrava todas as suas letras…

De súbito, porém, um dos jovens, levantando-se da cadeira, exclama em voz alta, triunfante:

– Já sei: FRIEDEN! FRIEDEN é a palavra certa!!

Era mesmo! As crianças tinham sido capazes de a reconhecer, e a palavra sentia-se finalmente feliz. O seu significado estava ali, no meio daqueles jovens que, em conjunto, gostavam de jogar o jogo das palavras…


E tu, sabes o que ela significa?

Nos vinte e sete países que hoje formam a União Europeia, ela traduz-se por: «paz», «paix», «pace», «vrede», «fridden» … (ÉS CAPAZ DE COMPLETAR A LISTA?)

E na nossa vida, sabes dizer-me em que se traduz?


[1] Em português, estas palavras traduzem-se por: «livre», «maturidade», «inveja», «inimigo», «criado», «tua», «teu», «discurso», «falar», «ânsia», «fim», «fino», «ideia», «ideias», «pena», «éden», «uma», «um», «férias», «festa», «festejar», «o», «a», «três» …


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Leitura fácil — A União Europeia


https://european-union.europa.eu/easy-read_pt


Dia da Europa | 9 de maio 2023


https://eurocid.mne.gov.pt/artigos/dia-da-europa-9-de-maio-2023


Fernanda Alves Afonso Grieben

[email protected]

Sou pintora, originária do Norte de Portugal, mas resido atualmente na Alemanha. Também gosto de escrever textos literários, sobretudo para a infância. Faço-o, principalmente, para mim própria. No entanto, alegro-me sempre que encontro uma possibilidade de partilhar a minha escrita com as demais crianças, de todas as idades. Sou Mestre em Teologia (UCP); Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas – variante de Estudos Portugueses e Doutorada em Estudos Portugueses, na especialidade de Literatura Portuguesa (UAb).

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