Júlio Dinis, o grande defensor da floresta portuguesa




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E a vida secular numa hora se extinguiu,

E os obreiros do mal saem dali cantando.

Chega logo depois um turbulento bando

De crianças, que a rir, o tronco sem vigor

Calcam, brincando. E após em práticas d’amor,

Voa rápido o tempo a amantes e esposos

Que ali falando vêm. Depois, velhos, saudosos,

Do tempo que passou por eles em comum,

Sentam-se a conversar. Mas deles, ai, nenhum

Uma lágrima tem para desgraças destas.

Homens, que mal vos fez o velho das florestas?

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Um final que nos obriga a refletir sobre a grande questão que levanta: que mal nos fez a nós – homens e mulheres – o velho carvalho da floresta portuguesa, para que com tanta falta de respeito o tratemos?




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O ervanário foi sentar-se na encosta de um outeiro vizinho, de onde se divisava toda a cena. Com a cabeça pousada na mão e o braço apoiado sobre o joelho, com voz comovida, dizia adeus a cada árvore, que dali via vacilar e cair, como se fosse um amigo que o precedesse no túmulo. Parecia ter fugido para longe, para pelo menos não lhes ouvir o estertor da agonia. […]

O ervanário sempre que via brilhar o machado sobre uma nova árvore, recordava sentidamente algum episódio do seu passado, a que ela estava ligada.




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«I. Respeitar e cuidar da comunidade de vida»;

«II. Integridade ecológica»;

«III. Justiça social e econômica»;

«IV. Democracia, não violência e paz».


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E o décimo sexto Princípio da Carta termina com a seguinte advertência: «Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte».

Também é no sentido de despertar a consciência dos seus contemporâneos para a premência de se estabelecer uma saudável relação com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte que Júlio Dinis compõe o longo poema «O carvalho da floresta».


Retomo no texto acima transcrito, com poucas alterações, partes de dois subcapítulos da minha tese de doutoramento (Júlio Dinis, apologista da Kunstreligion: influência de uma corrente de pensamento europeu no percurso literário dinisiano), defendida em 29 de setembro de 2016 (Universidade Aberta, Lisboa) e disponível, desde 14 de novembro de 2016, em https://repositorioaberto.uab.pt/handle/10400.2/5717


Fernanda Alves Afonso Grieben

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Sou pintora e autora de textos literários, principalmente, Infantojuvenis. Natural da cidade do Porto, no Norte de Portugal, resido atualmente na Alemanha. Sou Doutorada em Estudos Portugueses, na especialidade de Literatura Portuguesa (UAb); Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas – variante de Estudos Portugueses (UAb). Possuo Mestrado Integrado em Teologia (UCP).

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