Análise das profecias de Nostradamus (5)


Análise da Segunda Profecia :


A l’advenir par idiots sans testes ,1. Doravante por idiotas desmiolados,desmiolados = sem cabeça (juízo)
En son hault AUGE de l’exaltation ,2. No cúmulo dos cúmulos da sua exaltação,cúmulo dos cúmulos = AUGE máximo
De sang trempé la terre & mer Senoise ,3. [É cometida]chacina [n]a margem do rio Sena,chacina = Banhada de sangue ; a expressão “[entre] terre et mer” = rivage (se dit aussi en parlant des fleuves, des rivières, des lacs, cf. AQUI)
Citez vexées par subit changement ,4. Cidades atormentadas por uma súbita mudança,
Profonde argile blanche nourrit rocher ,5. Profunda argila branca nutre a rocha,
La grefle et glace fera grand malefice.6. O granizo e [o] gelo causará[ão] grande dano.
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Perdu, trouvé, caché de si long siecle ,7. Perdido, encontrado, ocultado de tão longo século,‘tão longo século’ = período que se estende desde 18 de outubro de 1685 [Édit de Fontainebleau („révocation de l’édit de Nantes“)], até a Tomada da Bastilha, em 14 de julho de 1789. Durante este período, o culto protestante foi proibido.
Conflict Reims, Londres, Etrusque pestifere.8. Conflito [que envolve] Reims, Londres, [o]Vaticano [será] pernicioso.Etrusque = Vaticano (cf. AQUI) ; ‘pestifere’ (pestífero) = pernicioso, maligno, funesto, nefasto (cf. abaixo)
[Veja também AQUI e AQUI][A adaptação à língua portuguesa é da minha responsabilidade.]


https://archive.org/details/lesprophtiesdemm00nost/page/n7/mode/2up


1.2.3. Durante a Revolução Francesa, a guilhotina foi instalada na Place de la Révolution, hoje (“Place de la Concorde. […] é a maior praça de Paris. Localizada na margem direita do rio Sena, […]”, cf. AQUI). Nesse local, foram guilhotinadas milhares de pessoas, incluindo o rei Luís XVI, em 21 de janeiro de 1793.


4.5.6. No denominado ‘Período do Terror’ (The Terror: The Shadow of the Guillotine: France 1792–1794 ), muitas cidades francesas foram ‘atormentadas’ por causa da Convenção Nacional (“C’est un décret de la Convention nationale, en date du 16 octobre 1793, qui traduit l’injonction des autorités en matière de changement du nom de toute commune susceptible de rappeler l’Ancien Régime ou la religion chrétienne. […]”, cf. AQUI) ; O solo argiloso e as condições climáticas adversas na França do final do século XVIII, especialmente entre 1787 e 1789, foram fatores físicos cruciais que atuaram como catalisadores para a Revolução Francesa. O clima severo agiu sobre uma estrutura agrícola vulnerável, resultando em fome generalizada e no aumento explosivo dos preços do pão, o que mobilizou tanto camponeses quanto as massas urbanas: 


“No verão de 1788 houve uma colheita particularmente má, […]. A escassez de pão causou também grande agitação nas cidades. As autoridades esmagaram as revoltas pela força, mas elas continuaram a estalar por todo o lado. […]” (cf. AQUI).


“Clay soils are very common in France. […]” (cf. AQUI).


” […] Boulogne is not an ugly town; […]. The high land adjoining is worth viewing by those who have not already seen the petrification of clay; it is found in the stoney and argilaceous state, […]” (cf. AQUI).


“[…] The winter of 1788-1789, Jefferson’s last in Paris, was exceptionally harsh. Frost fell in early November and the ground remained frozen until April. Rivers iced over and during occasional warm periods burst their banks as the frozen earth could not absorb any excess water. The “Siberian degree of cold” was a frequent subject of Jefferson’s correspondence. He summed up the season in a 14 March 1789 letter to Eléonor François Élie, the Comte de Moustier: “We have had such a winter here as is not on record. The mercury was 18 1/2° [-9.63° F] below freezing on Reaumur’s scale, and I think it was near two months varying between that point and zero.” The Paris Observatory recorded a low of -21.3° C (-6.34° F) on 31 December 1788 and an excessive, for the region, number of days below freezing. There were 30 days in December when the temperature never climbed to 0° C (32° F), 18 in November, 15 in January, and 21 in March. February gave the denizens of Paris a small reprieve with only 2 subzero days, although the average temperature for the month remained a mere 5.6° C, or 42.08° F (Annuaire, 80; (Annales, 1:B.211). […]” (cf. AQUI).


“One of the most severe El Niño events in history occurred from 1788 to 1794. […]” (cf. AQUI).


7.8. A Revolução Francesa acabou com a perseguição oficial aos protestantes huguenotes (cf. AQUI), que – desde a revogação do Edito de Nantes, em 1685 – tinham sido forçados a converter-se ao catolicismo, ou obrigados a fugir (a Inglaterra, sendo uma nação protestante, acolheu os refugiados huguenotes com simpatia, vendo-os como vítimas da tirania de Luís XIV), ou a praticar a sua fé de forma ‘oculta’. O Artigo 10º da DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO DE 1789 veio garantir a liberdade religiosa, permitindo que os huguenotes remanescentes saíssem da clandestinidade:


Following the Revocation of the Edict of Nantes, French Protestants recanted or went into exile. But among those who recanted, some continued to practice in secret, read the Bible and sing psalms within the family circle or in secret “Church of the Desert” meetings. […]”: Religion in the “Desert” period (1715-1787)


8. “[…] Le mot peste est apparu dans la langue française au xve siècle. […] Il a très vite été repris dans le sens propre et dans le sens figuré […] Peste était le plus souvent usité dans le sens de « catastrophe » ou de « destruction », […]”: Chapitre 4. La rémanence de la peste dans l’imaginaire collectif


PESTIFÉRÉ, PESTIFÉRÉE
adjectif et nom
xvie siècle. Tiré du latin pestifer, « qui apporte la ruine », lui-même composé à l’aide de pestis, « maladie, fléau », et ferre, « porter, apporter » (cf. AQUI) ;

PESTIFÈRE
adj. des deux genres.
Terme didactique. Qui communique la peste. Un air pestifère. Il en sort une vapeur pestifère. Une odeur pestifère. Il est peu usité (cf. AQUI).


Por tudo o que acima ficou exposto, é possível concluir que as visões que Nostradamus descreve, nesta Segunda Profecia, se referem a factos correlacionados da mesma época histórica: a da Revolução Francesa (1789-1799).

Os eventos são descritos de forma sintética, mas não vaga, como por vezes se supõe.

As mensagens transmitidas por meio das vinte e seis Profecias encontram-se sempre mais ou menos envolvidas por uma leve aura de mistério. Contudo, essa aura misteriosa – conseguida, principalmente, através da introdução de alguns elementos simbólicos num discurso sintético (direto e conciso) – apresenta-se unicamente como um recurso estilístico, ao serviço da mensagem que Nostradamus pretende transmitir.

São sempre mensagens complexas e profundas que – para serem corretamente decodificadas – obrigam o(a) possível leitor(a) a analisar o discurso, a refleti-lo, e a estudar o(s) contexto(s) histórico(s) em que podem ter ocorrido – quando a mensagem se refere a factos passados. Quanto aos eventos que ainda estão por acontecer, esses podem ser lidos com os olhos do presente. Por duas razões: primeiro, porque Nostradamus só profetizou até ao nosso tempo; segundo, porque o futuro somos nós que o construímos, com os nossos atos (e omissões) presentes.


Fernanda Alves Afonso Grieben

fe@revisitar.com

Sou pintora, originária do Norte de Portugal, mas resido atualmente na Alemanha. Também gosto de escrever textos literários, sobretudo para a infância. Faço-o, principalmente, para mim própria. No entanto, alegro-me sempre que encontro uma possibilidade de partilhar a minha escrita com as demais crianças, de todas as idades. Sou Mestre em Teologia (UCP); Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas – variante de Estudos Portugueses e Doutorada em Estudos Portugueses, na especialidade de Literatura Portuguesa (UAb).

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